Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Rui Rio, entre outros, rejeitaram o rótulo de serem um partido de direita, tendo ocasiões em que se assumem como de centro-esquerda, sociais-democratas ou socialistas.
De notar, que o primeiro grande ideólogo da social-democracia foi discípulo de Marx e Engels.
Definição de social-democracia
A sigla PSD refere-se a Partido Social Democrata, ora, segundo a Infopédia Portuguesa, a origem da social-democracia tem um tronco marxista, sendo que o primeiro grande ideólogo do movimento foi Eduard Bernstein, um ex-discípulo de Marx e Engels, depois líder do SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha).
Stephanie Mudge, Professora em Cambridge, cita que: ‘o conceito de social-democracia era frequentemente substituído pelas palavras ‘progressista’ e ‘centro-esquerda’.
Ainda, num artigo do Journal of Political Ideologies, define-se a social-democracia como um movimento que tenta alcançar objectivos mais igualitários dentro dos limites de um sistema económico baseado na propriedade privada e na competição de mercado.
Já numa publicação da Universidade de Manchester, afirma-se que a União Europeia contribuiu muito para a maior profundidade política e solidez do novo perfil da social-democracia.
Em 2012, Nuno Guedes, aquando membro do Instituto Universitário de Lisboa, num artigo científico pontuou que: ‘de facto, PS e PSD surgem como partidos mais próximos do que ocorre entre os dois partidos mais votados de outros sistemas políticos europeus. Essa conclusão é comum à análise dos especialistas, dos eleitores ou dos programas eleitorais.’
Ocasiões em que o PSD se definiu ideologicamente
Em 2024, José Matos Correia, ex-vice-presidente do PSD, numa entrevista à SIC Notícias, sublinhou que ‘o PSD não é nem nunca foi um partido de direita. Frisando, ainda, o seguinte: ‘eu estou, aliás, particularmente à vontade porque eu pertenci à ala direita do partido social-democrata, mas o PSD não é um partido de direita, convém corrigir’.
No mesmo ano, Francisco Pinto Balsemão, numa entrevista à RTP destacou que: ‘O PPD/PSD sempre foi um partido de centro-esquerda e é por isso que nós defendíamos e penso que ainda defendemos algumas nacionalizações.’
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Já em 2023, no âmbito do 49º aniversário do PSD, Pinto Balsemão invocou, novamente, que: ‘queremos ser nós próprios, um partido social-democrata, de centro-esquerda, como sempre disse e defendeu e atacou quando necessário Francisco Sá Carneiro’.
Em resposta a esta declaração, José Silvano, ex-secretário-geral do PSD, mencionou que: ‘quem o conhece (Pinto Balsemão) sabe que sempre se assumiu como um homem de centro-esquerda, mesmo quando foi primeiro-ministro do PSD. Sempre assim foi. Portanto, as suas declarações são, apenas, um acto de coerência’.
Ainda, em 2021, Rui Rio, numa convenção do MEL (Movimento Europa e Liberdade) reiterou que: ‘o PSD não é um partido de direita, o PSD quando nasceu em 1974 não só era de centro, como era marcadamente de centro-esquerda. Há uma hora e tal atrás, eu estive numa reunião onde estava o Dr. Balsemão’ ao que Pinto Balsemão disse: ‘Olhe não se esqueça, nós eramos de centro-esquerda’, fundador do partido reitera Rui Rio.
Origens do Partido Social Democrata
Nos primórdios, o PSD pretendia entrar para a Internacional Socialista, o que não se concretizou por oposição do PS.
Ainda, Sá Carneiro, admitiu excepcionalmente a presença do PSD num governo com o PCP caso a situação política portuguesa assim o justificasse, após o 2º Congresso Nacional do PSD.
Francisco Sá Carneiro, no 1º Congresso Nacional do PPD, invocou que: ‘as linhas programáticas foram aqui várias vezes invocadas e constituem efectivamente o nosso fundamento, a nossa base como partido. Foi aqui muitas vezes dito que o programa terá de se cingir a elas, porque foi, nessa definição, de partido de esquerda que as pessoas a ele aderiram, parece-me ser esse o sentido da moção, o de que efectivamente na redacção do programa se observe escrupulosamente os princípios traçados nas linhas programáticas.’
No mesmo congresso, Pinto Balsemão, também fundador do partido, afirmou que: ‘temos finalmente um programa, um programa que não é imposto por uma cúpula mais ou menos alargada, um programa que só aqui no congresso levou 12 horas a discutir, um programa que provocou cerca de 200 propostas de alteração, um programa que define clara e inequivocamente a nossa posição de esquerda’.

José Manuel Ramos, membro da Comissão Política Nacional do PSD, no mesmo congresso, destacou que: ‘somos um partido de esquerda, como partido de esquerda que somos, não podemos deixar de lembrar todos os camaradas que lutam contra a tirania, por isso amigos, eu em nome de um grupo de camaradas aqui presente proponho a seguinte moção à sala: Partido Popular Democrático solidariza-se totalmente com os povos martirizados pela tirania e com os partidos irmãos, nas duras condições de clandestinidade, lutam pela democracia e pela construção do socialismo.’
Já Joaquim Magalhães Mota, outro dos fundadores do PSD, confessou o seguinte: ‘julgo que nunca fomos um partido da direita, nem um partido exclusivamente do centro. E que, portanto, foi realmente importante que o congresso não fez qualquer viragem, confirmou tudo quanto constava nas suas bases programáticas e manteve-se idêntico a si mesmo’.
Francisco Sá Carneiro, no segundo dia do 1º Congresso Nacional do PPD, proferiu que: ‘o partido foi verdadeiramente adoptado por trabalhadores que o fizeram seu e levaram a todos os portugueses a social-democracia como caminho para a construção colectiva de uma sociedade socialista em liberdade’.
Novamente, o fundador do PSD, numa entrevista a um jornalista alemão em 1974, questionado sobre qual o partido que mais se identificava na Alemanha, respondeu: ‘francamente, com o SPD, a linha do partido que nós queremos fundar em Portugal, o Partido Popular Democrático, é uma linha de social-democracia, muito próxima, segundo se vê, do programa que já apresentamos de Bad Godesberg de 1959, portanto, não tenho dúvida nenhuma que o nosso partido se aproxima muito do SPD alemão.’
O SPD é o partido social-democrata alemão, que pertence à família política do PS no Parlamento Europeu, mais precisamente o PES (Party of European Socialists). Já o programa Godesberg, que Sá Carneiro mencionou, refere-se a uma ratificação do partido social-democrata alemão que expressa formalmente a dissociação ao marxismo.
Nesta mesma entrevista, Sá Carneiro recusou que o PSD fosse conservador, assumindo-se como ‘progressista’.
Passado um ano, numa manifestação de apoio ao VI Governo, o Almirante Pinheiro de Azevedo, na companhia de Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, disse que: ‘Portugal e a revolução hão de encontrar o seu caminho: caminho de trabalho, caminho de paz, caminho de sacrifício e renúncias, mas caminho que terá de ser de todos os portugueses. Rumo ao socialismo, sem deixar no percurso as liberdades. Viva a liberdade! Viva o socialismo!’.
Por último, Sá Carneiro, noutra ocasião afirmou que: ‘Não somos, nem seremos nunca uma força de direita (…). Somos um partido de esquerda não marxista (…). Somos socialistas porque somos sociais-democratas’.
Confusão ideológica contemporânea
Voltando à actualidade, no 37º Congresso do PSD, em 2018, tanto Luís Montenegro, como Carlos Moedas e Miguel Poiares Maduro não foram claros na definição ideológica do partido. Luís Montenegro afirmou que o PSD se situa entre o centro-esquerda e o centro-direita, já Moedas e Poiares Maduro entendem que os rótulos clássicos de esquerda-direita estão desactualizados actualmente.
Já em 2017, Rui Rio, ex-presidente do PSD, em plena campanha, sublinhou que: ‘somos todos portugueses e temos todos o direito à igualdade de oportunidades, à solidariedade social, à tolerância e, acima de tudo, à liberdade. São estes os valores da social-democracia, os valores primeiros que, no nosso quadro ideológico o estado a todos tem de garantir. Somos sociais-democratas, o PSD não é um partido da direita’.
No mesmo ano, numa entrevista à RTP, Rui Rio voltou a frisar que: ‘o meu PSD que não é o meu, é o PPD nasceu social-democrata em Maio de 74, não foi PSD porque o nome estava tomado, mal pode ser passou para Partido Social Democrata. E como partido social-democrata que é, é um partido social-democrata e a social-democracia, ora um pouca mais à direita, ora um pouco mais à esquerda, mas é um espaço que actualmente ocupa o centro político. Ou seja, quando dizem que a direita pensa isto ou pensa aquilo, e se querem referir ao PSD, estão a pensar mal e estão a dizer mal, porque o PSD não é a direita, mas o PSD também não é a esquerda, o PSD é um partido de centro, uns nós mais no centro-esquerda, outros nós mais sobre o centro-direita, mas é neste espaço.’

Em 2016, Pedro Passos Coelho, numa crítica à geringonça lamentou o acordo para impedir ‘aquilo que eles chamam a direita’, para logo de seguida mencionar que não considera que o PSD seja de direita.
Finalmente, em 2007, num comício, Luís Marques Mendes recusou que o PSD seja um partido de direita: ‘Não somos um partido de direita. Somos um partido social-democrata, liberal na economia’.
Outras afirmações de Sá Carneiro
Numa conferência de imprensa em 1975, Francisco Sá Carneiro disse que: ‘O PPD defende a social-democracia para Portugal, ela não é apenas a via para o socialismo, mas simultaneamente o socialismo possível em cada momento, segundo a escolha que o povo fizer através de sufrágio.’
Em paralelo, numa recolha de citações realizada pela Lobo Media, no Instituto Sá Carneiro, foi possível verificar outras ocasiões em que Sá Carneiro abordou o perfil ideológico do PSD.
Por exemplo, em 1976, numa entrevista ao O Jornal mencionou que ‘a social-democracia é a realização progressiva, e cada vez mais aperfeiçoada, do socialismo democrático.’
Já numa conferência de imprensa em 1976, destacou que ‘o essencial para o PPD é a defesa da social-democracia como via realista e equilibrada para o Socialismo. Socialismo que é justiça, liberdade e igualdade.’
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Em 1975, num discurso no comício de Lisboa, Sá Carneiro sublinhou que: ‘a social-democracia é autêntica concepção do socialismo democrático, que arranca do voto popular, caminha pela via da liberdade, da igualdade, da justiça e da solidariedade, para o nosso autêntico ideal, que não é o socialismo em si.’
Ainda, numa entrevista ao Diário Popular em 1975, o fundador do PSD disse que: ‘a social-democracia identifica-se historicamente com o socialismo democrático.’
Numa outra ocasião, em 1975, num discurso no comício do Campo Pequeno mencionou que: ‘para nós a social-democracia é a identificação do socialismo e da democracia.’
Por último, em 1974, num discurso no comício do Porto, Sá Carneiro defendeu que: ‘a social-democracia é a realização de socialismo em liberdade segundo a cadência de reformas, determinada pelo voto popular, para construção de uma sociedade liberta da exploração e da lei do lucro’.
Políticos do PSD que se filiaram em partidos comunistas
O Partido Social-Democrata contou com, pelo menos, duas figuras que militaram em partidos comunistas antes de integrarem o PSD.
O caso de maior destaque é o de Durão Barroso, ex-primeiro-ministro do PSD, filiou no MRPP durante a juventude universitária, um partido comunista de inspiração maoísta.
Outro exemplo é o de Pacheco Pereira, ex-eurodeputado do PSD, que esteve politicamente ligado ao maoísmo nos anos 70, tendo fundado no norte do país o PCP (M-L), de cariz marxista-leninista.
Nota: O Instituto Francisco Sá Carneiro foi contactado previamente, no entanto, até à data da publicação não obtivemos qualquer resposta
Bibliografia
(PDF) In Search of Social Democracy : Responses to Crisis and Modernisation
Esquerda-direita: análise das posições ideológicas do PS e do PSD (1990-2010)
Social Democracy – Eunice Goes – Google Livros
Social Democracy as an Agent of Disruption
David Bailey: The End Of The European Left? | Near Futures
The Politics of Social Democracy: Issues, Dilemmas, and Future Directi
50 anos do PSD. Partido nasceu a 6 de maio ainda como PPD
49th Anniversary of the PSD – Francisco Pinto Balsemão – YouTube
Rui Rio: “The PSD is not a right-wing party” – YouTube
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Fontes multimedia:
Francisco Sá Carneiro | Francisco Sá Carneiro. Fundador do P… | Flickr





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